A inspiração e determinação dos ganhadores do Desafio de Design 2016

A inspiração e determinação dos ganhadores do Desafio de Design 2016

O 4º Desafio de Design Odebrecht Braskem acabou e pudemos conversar com os ganhadores sobre toda a experiência no evento, as inspirações para suas criações vencedoras e o que levam para suas carreiras.

Equipe Òn, da UFF

DotR – Contem um pouco como foi a experiência de participar do 4º Desafio de Design Odebrecht Braskem.

Foi de muita troca. A experiência do desafio nos possibilitou enxergar um universo além da universidade, criando novos olhares sobre o que é o design e como ele pode ser (e é) uma ferramenta poderosa para a inovação social. Por meio das capacitações que tivemos – palestras, workshops e muita conversa -, não só alcançamos uma maior compreensão da perspectiva do mercado, do entorno e da trabalhabilidade dos materiais, como potencializamos e expandimos nossa capacidade de trabalhar em grupo, de dialogar, perceber, planejar, falar e escutar. Além disso, a vivência em diferentes escalas, passando do design ao urbanismo, nos possibilitou um olhar mais sensível e uma compreensão mais sistêmica do contexto do projeto, materializada em forma de um mobiliário urbano.

DotR – O que inspirou vocês a criar o mobiliário vencedor?

Tivemos muitas inspirações, tanto técnicas quanto simbólicas, na criação do mobiliário.

Nossa intenção era que a simplicidade fosse substancialmente marcante no projeto. Por isso, projetamos o mobiliário a partir de medidas de tubos de plástico já existentes, permitindo, com isso, a reutilização de materiais e sua facilidade de execução.

Queríamos, além disso, que o mobiliário despertasse – nas pessoas e no espaço urbano – desaceleração, conexão e reflexão. Por isso, nossa inspiração conceitual foi a ideia do mergulho:

“O mergulho é uma imersão com profundidade que gera, pelo seu impacto, uma proliferação de diferentes bolhas do espaço, criando distintas possibilidades e conexões”.

Buscamos, assim, um mobiliário que fosse, não somente uma proliferação de diferentes bolhas, como também um convite às pessoas a dar um mergulho mais profundo nas águas do Porto e na sua essência. Para isso, pensamos junto com o Kaleb – grafiteiro, morador do morro do Pinto e descendente de Africanos escravizados – maneiras de expressar no mobiliário a História e a ancestralidade da região – através da arte urbana local – com a proposta de trazer as crianças moradoras da região para oficinas de arte urbana, durante a pintura do mobiliário.

DotR – Com o prêmio em mãos, qual o próximo passo na carreira de vocês?

Além de dar continuidade à execução desse projeto, sonhamos em realizar, colaborativamente, outros projetos de design, arquitetura e urbanismo que temos em mente, buscando empoderamento social, profissional e impacto positivo à comunidade, como um todo.

Almejamos concretizar projetos na esfera da cidade, mas passando adiante as ferramentas e aprendizados ao contexto acadêmico e pessoal.

DotR – O que vocês aconselham para quem participaria da próxima edição?

Deixar o ego de lado.

Projetos sempre vão gerar algum tipo de impacto, onde quer que sejam implantados. E quando projetamos com o ego, não prestamos serviço a ninguém que não a nós mesmos, encerrando ciclos sem gerar fluxo de impacto positivo. Quando compartilhamos sonhos, ideias, conhecimento, diálogos e percepções com diferentes tipos de pessoas na hora de projetar, conseguimos representar sonhos muito maiores que somente os nossos, contribuindo para que o ciclo de dar e receber nunca se feche. Projetos devem ser fluxos cíclicos de trocas positivas para que valham à pena de serem implantados.

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Equipe Bosque, da UFRJ

DotR – Contem um pouco como foi a experiência de participar do 4º Desafio de Design Odebrecht Braskem.

Participar do 4º Desafio de Design Odebrecht Braskem foi, antes de mais nada, uma oportunidade diferente de tudo que já tínhamos vivido. No início do Desafio, o que mais nos motivou foi a chance de poder trabalhar junto com pessoas de outros cursos e ter contato com profissionais e demandas reais de um projeto de arquitetura e design. Tivemos contato com uma metodologia de projeto diferente, que nos fez colocar em prática conceitos e ferramentas que trouxemos do nosso curso; fizemos pesquisas e questionários com futuros usuários do Parque Urbano, como os moradores, turistas e trabalhadores do entorno. Além disso, vimos como cada equipe trabalhava e como podíamos aprender para melhorar nosso próprio trabalho. E o que mais enriqueceu o nosso aprendizado foi contar com a mentoria e workshops com profissionais da Braskem, designers e arquitetos experientes na área. Como a proposta não era desafiadora só por sermos estudantes, mas também porque deveríamos utilizar como matéria-prima produtos manufaturados de plástico, esses fatores foram essenciais para conseguirmos realizar o projeto do mobiliário urbano Baorê, e seu resultado não poderia ter nos deixado mais orgulhosos.

DotR – O que inspirou vocês a criarem o mobiliário vencedor?

A inspiração principal que gerou o mobiliário que nós levamos como alternativa final – porque durante todo o processo de criação nós geramos várias alternativas – foram as árvores e as sensações que as pessoas têm ao se reunirem ao redor delas, gerando uma conexão não só entre essas pessoas, mas também entre elas e o ambiente onde estão.  Por isso os sketches iniciais do mobiliário se assemelhavam bem a uma árvore com pessoas descansando em suas raízes e, com a introdução do plástico e adaptações ao espaço onde o mobiliário será inserido, essa forma foi sendo desconstruída até chegarmos a um projeto fechado que combinasse todas essas questões conceituais com os requisitos projetuais.

DotR – Com o prêmio em mãos, qual o próximo passo na carreira de vocês?

Inicialmente, temos dois importantes passos para dar: concluir a nossa graduação e dar continuidade ao projeto do mobiliário Baorê até que ele esteja preparado para ser implantado no Passeio Ernesto Nazareth. Esse para nós será o maior prêmio de todos! Poder sentar e utilizar aquilo que projetamos em conjunto, chamar amigos e familiares para conhecer e, tomara, se tornar parte integrante do Porto Maravilha. Este Desafio serviu para destacar como as nossas profissões podem trazer melhoria para o dia-a-dia das pessoas e para as nossas cidades, o que nos deixou ainda mais confiantes de que estamos na área certa.

DotR – O que vocês aconselham para quem participaria da próxima edição?

Nós aconselhamos a todos a dar o máximo de si e lembrar sempre que todos estão trabalhando ali em conjunto. Como os grupos são formados por designers e arquitetos, é essencial todos saberem quais são suas melhores habilidades para o trabalho ser dividido entre todos e assim utilizarem melhor o tempo para fazerem as entregas no prazo. Mas tem que persistir mesmo, ir até o final do desafio pois vale muito a pena! Discussões vão acontecer, mas é só confiar no grupo e, sabendo que todos ali querem o melhor resultado, logo chegam em um acordo. Além disso, no final das contas acaba sobrando um tempo para cada um aprender com o outro e todos saírem sabendo mais sobre alguma área que não é tão familiarizado. (…) Vale muito a pena, pois a experiência que você ganha é incrível, não só com os mentores do projeto e técnicos em plástico que nos mostram as suas vantagens e aplicabilidade, mas principalmente com o aprendizado passado pelos estudantes das outras universidades que mostraram suas respectivas metodologias e técnicas de desenvolvimento de projeto, nos dando dicas que levaremos pra vida.

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Sobre o autor

Danilo Cava é turismólogo (isso existe?), mas comunicólogo de profissão e coração. Brincalhão, nerd, organizado, gosta de videogames, cozinhar e ler. Viciado em arte, cinema e design é especialista em acompanhar séries no Netflix.

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