Informação não é tudo no Design

Com a popularização da profissão de designer, muitas faculdades viram um filão do mercado acadêmico pouco explorado até então. Vimos surgir cursos de design em vários cantos, sempre com a mesma grade curricular, mas poucos professores realmente capacitados para os cursos. Anualmente vemos um número crescente de designers sendo “despejados” no mercado, muitas vezes sem preparação e/ou talento algum para a função. Designer virou a profissão da “moda”, é bonito ser designer hoje em dia.

Me lembro que a uns 20 anos atrás, quando ainda se estudava Desenho Industrial para ser designer, que os pensadores proféticos diziam que estávamos na era da informação, pelo advento da internet, que a informação vale ouro. Pois os anos se passaram e percebi que hoje, a informação não vale nada se você não for sábio e criativo o suficiente para usá-la a seu favor. Não é o profissional que sabe mais, que vale mais e sim o profissional que sabe usar de forma correta a informação que tem.

Cursos de graduação são importantes na formação de todo designer, mas não valem muita coisa no mercado, já que estes dados acima já estão sendo percebidos e os “pára-quedistas” de profissão tem sido identificados. Dois pontos se fazem necessários na vida de um designer para ter peso na carreira: vida acadêmica e repertório.

Vida acadêmica porque não se pode mais parar na graduação, achando que isso basta, isso na verdade é só o começo. Você não precisa virar um  PhD de design, mas precisa ter especializações, pós-graduação, MBA, algo que acrescente valor no seu trabalho, que dê peso extra na sua carreira e currículo, aumentando suas chances de um bom emprego e salário. Procure neste caso algo que você goste não somente dentro do design, algo que vai complementar na sua vida profissional. Um bom exemplo é um designer fazer pós-graduação em psicologia infantil, isso daria a ele peso suficiente para trabalhar com materiais educacionais como apostilas, brinquedos, móveis para escolas e tudo o que as duas profissões possam oferecer.

Repertório porque não basta se focar no design sendo um designer! No Pixel Show deste ano, entrevistei o cartunista prodígio da Folha de SP, João Montanaro, que deu uma das dicas mais pertinentes que já ouvi em um evento. Um dia falaram para ele nunca estudar desenho, por dois motivos simples: não perder a propriedade do traço dele e para se focar em outras coisas que não desenho, com isso ele aumenta o repertório do conhecimento dele.

Enfim, conhecimento não é tudo se você não sabe como usá-lo e quanto mais você souber, mais você poderá chegar mais longe e mais rápido.

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Sobre o autor

Designer apaixonado pelo que faz, fundador e editor do DESIGN on the ROCKS. Brasileiro, natural de Jacareí - SP. Atualmente trabalha como Freelancer de gráfico e produto.

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3 comentários

  1. Lucasmluz

    Como li em um livro uma vez, ser inteligente não significa ser criativo…

  2. Flavio Dechen

    Gostei da leitura. Desde que comecei a estudar design, a 10 anos, me pergunto sobre a necessidade de quão longe é preciso chegar no nível acadêmico.

    Da maneira como você falou, com o boom da entrada de “designers” no mercado, eu sempre considerei mais importante o desenvolvimento do repertório do que aulas e cursos, por exemplo. Isso porque, este último, qualquer pessoa pode fazer… já o repertório auxilia na construção do pensamento do designer e é o que vai diferencia-lo dos outros.

    Minha opinião é que designer que é designer não deve parar de estudar nunca, seja aprimorando técnica, seja aprimorando teoria, dinheiro nenhum paga o conhecimento adquirido com a prática.


    1. Post author
      domenicojusto

      Exatamente da forma como penso Flavio, devemos sempre ir além nos estudos e no conhecimento em geral.

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