Dicas de um designer na Itália

Dicas de um designer na Itália

Olá galera, fiquei um tempo out pois muitos projetos acabaram ocupando meu tempo, mas é uma das minhas resoluções do ano voltar a bombar aqui no blog com muito conteúdo criativo!

Como um retorno ao posts do blog, resolvi falar um pouco da minha experiência de férias na Itália, coisas que vi, vivi e acabei comprando, além de explicar algumas coisas.


UM SONHO REALIZADO

Sempre foi meu sonho ir para a Europa, principalmente para a Itália, pois já estudei muito história da arte e queria muito ver algumas obras de perto. Esse sonho foi realizado e vou contar um pouco da experiência.

Como o tempo era curto e tinha muita coisa para ser vista, eu e o Danilo Cava, editor de mídias e companheiro pra vida, planejamos cada dia da nossa viagem. O primeiro passo foi comprar um bom guia do país, ler e escolher o que deveria ser visto e o que poderia ser dispensado. O guia escolhido foi o maravilhoso Guia Visual da Folha, pois adoro a linguagem, diagramação e ilustrações em cortes que eles usam. Marquei as paginas com tudo o que queria ver, cada cor, uma cidade!



PLANEJANDO PARA CONSEGUIR VER TUDO!

Foi bem difícil escolher tudo o que eu devia ver na viagem, mas conseguimos fazer um apanhado de tudo que eu e o Danilo queríamos ver. Como o Danilo já tinha ido pra Italia, foi mais fácil pra ele calcular o tempo das coisas. O resultado foi uma planilha com cada dia e um cronograma com tempo de visitação em cada ponto turístico. Para não perder, imprimimos e colamos no proprio guia, que seria estudado todos os dias para sabermos os detalhes.


Outra dica importante é comprar tudo o que puder com antecedência. Fizemos isso com ingressos de museus, passagens de trem e os cards das cidades (vou explicar isso mais pra frente). Foi mega importante já que decidimos ver Milão, Veneza, Florença, Pisa e Roma, tendo como base um apto em Milão, indo de trem para as outras cidades, dormindo uma noite apenas em Roma, pois era a cidade mais longe e de viagem mais longa (3 horas de viagem com um trem que chegava a 300 km\h).

INSPIRAÇÃO

Fiz a viagem altamente influenciado pelas obras literárias que já li, como A Divina Comédia de Dante Alighieri, obra indispensável para qualquer diretor de arte que se preze, além de todas as obras do Dan Brawn, principalmente Inferno, que foi o último que li (em inglês inclusive), mas o elo amor de Deus, esqueçam o filme que é horrendo, o livro é maravilhoso e fala em detalhes de muita coisa que vou falar mais pra frente. Sem contar as inúmeras aulas que já tive sobre artes e que sou apaixonado!


A edição que eu tenho é com as ilustrações do Gustave Doré!

AMPLIANDO O REPERTÓRIO

Nosso foco principal eram os museus, priorizando os que tinham obras importantes e igrejas famosas, sob o foco do design, arquitetura e arte, já que não sou uma pessoa muito religiosa. Abaixo uma listinha dos que visitamos e o motivo da visita.

Veneza (1 dia)

  • Igreja de Santa Maria Gloriosa Dei Frari – para ver o monumento em homenagem ao grande artista italiano Antônio Canova, em forma de pirâmide.
  • Gallerie dell’ Accademia – uma das pinacotecas mais importantes do mundo, com obras de Veronese, Canaletto, Tintoretto, Tiziano e Bellini.
  • Piazza di San Marco – com a esplendorosa Basílica di San Marco, o Palácio Ducado, o Campanário e a torre do relógio.
  • Biennale di Arte – visitar uma das bienais mais importantes do mundo e presenciar algumas intervenções pela cidade.

Florença (2 dias)

  • Palazzio Pitti – com seus mais de 5 museus e o esplendoroso Giardino di Boboli, um dos cenários das aventuras de Robert Langdon em Inferno.
  • Gallerie degli Uffizi – ou Galeria de Artes e Ofícios, um dos mais importantes museus do mundo, com obras importantes, como as principais obras de Caravaggio, O Nascimento de Vênus de Botticelli e Primavera do mesmo pintor. Isso sem contar com as obras de Michelangelo! Imperdível.
  • Igreja de Santa Maria Novella – primeira basílica de Florença com uma belíssima arquitetura.
  • Piazza di Michelangelo – com sua belíssima vista de toda a cidade.
  • Palazzo Vecchio – com obras lindas, ele antes tinha o famoso David de Michelangelo na entrada, que hoje tem apenas uma copia dele no lugar. Aqui também vimos a famosa máscara mortuária de Dante Alighieri, principal artefato da obra Inferno do Dan Brown.
  • Ponte Vecchio – e seu famoso mercado.
  • Duomo di Firenze – com o museu mais bacana que já vi. Além da arquitetura gigantesca de um predio todo feito em mármore de Carrara nas cores, rosa, branco e verde. Simplesmente estonteante. O complexo consiste no Duomo, Campanário, Batistério e o Museo del Duomo.
  • Basilica de San Lorenzo – pela arquitetura imponente.
  • Museo Casa di Dante – Para conhecer um pouco mais sobre a vida desse grande escritor.

Pisa (1 dia)

  • Torre de Pisa – que na verdade era o campanario do Duomo de Pisa, para tirar uma foto classica e ver Pisa de cima!
  • Duomo de Pisa – uma linda basílica gótica toda de mármore branco.
  • Batistério
  • Camposanto Monumentalle
  • Museo delle sinopie

Roma \ Vaticano (2 dias)

  • Musei di Vaticano – incluindo obras roubadas por Napoleão, o museo egípcio, salas de Rafael, sala dos mapas e a tão gloriosa Capela Sixtina.
  • Basilica di San Pietro – com um dos mais impressionantes domos do mundo e toda a riqueza de seu interior e a Pietà de Michelangelo.
  • Piazza di San Pietro – e todo o esplendor clássico \ barroco do Bernini.
  • Vila EUR – onde aconteceu a Exposição Universal de Roma e lar do Coliseu Quadrado.
  • Complexo histórico de Roma – Composto pelo Coliseo, Fórum Romano, Circo Massimo, Palatino e o Arco de Napoleão, dentre outros.
  • Monumento a Vittorio Emanuelle.
  • Fórum de Augustus.
  • Mercado de Trojano.
  • Pantheon.
  • Fontana di Trevi.
  • Igreja de Santa Maria Maggiore.
  • Igreja de Santa Maria della Vittoria – para ver a bela Êxtase de Santa Teresa, escultura de Bernini.
  • Villa Borghese – e sua bela Galleria Borghese, recheada de Caravaggios e Berninis.

Milão (1 dia)

  • Galleria Vittorio Emanuelle.
  • Triennale di Milano – e suas exposições de design.
  • Parque Simpione – com o belo Castello Sforzesco.
  • Quadrilátero da Moda.
  • Pinacoteca de Brera.

Alguns museus você precisa comprar a entrada com hora marcada, como foi o caso do Uffizi e do Vaticano. Uma dica de ouro é comprar o card turístico da cidade, no nosso caso, compramos o Firenze Card e o Roma Pass.

O Firenze dava direito a 72 museus em 72 horas por € 72, além de descontos no cartão de transporte público e furar as filas, bastava apresentar o cartão para tirar um ticket ou entrar direto, a única restrição era para subir na torre do Duomo, que pagava a parte. O prazo de uso era de 24 horas e vinha com um cartão, ótimo mapa e outras informações, mas já tínhamos comprado outros mapas também. O material gráfico deles também é muito bacana, como podem ver abaixo:

Uma coisa bacana que aconteceu é que fizemos a rezerva do Uffizi e, como o cartão dava direito a ele também, o museu nos reembolsou a reserva sem que solicitássemos, por pura gentileza… ah, o primeiro mundo! Super recomendo!

No caso do Roma Pass a coisa era mais restrita, dando direito a um sítio arqueológico e um museu, além de descontos nos outros. Este podia ser comprado com limite de 48 e 72 horas e vinha com um cartão e um mapa razoável.



“LEVE TODO O MEU DINHEIRO!” – DISSE O DESIGNER AO VENDEDOR!

Se estiver pensando em ir para a Itália, prepare o bolso, pois vai ter uma infinidade de coisas bacanas para comprar. O melhor é preparar o psicológico para abrir mão de algumas coisas, isso sim! Cada museu ou igreja, um mundo novo de souvenirs para comprar, por isso, recomendo também que faça uma lista dos presentes e peças que quer comprar, incluindo o budget máximo. Se possível, compre fora das loginhas internas, sai mais barato!

Como designer, foquei em objetos e presentes típicos que tinham significado dentro do meu repertório pré-estabelecido, ou em material para enriquecimento dele, como era o caso dos guias de museus.

Um dos primeiros objetos que resolvi trazer foi a icônica cafeteira de fogão Moka Express Bialetti, inventada em 1933 por Alfonso Bialetti e que revolucionou a forma como se fazia café. Meu fascínio por este produto vai alem da ciência de como ela faz o café, mas pelo fato de até hoje ela se manter um artefato simples, de peças de alumínio fundido, que até a segunda guerra ainda era feita de forma artesanal e só depois que seu filho Renato industrializou a produção e passou a usar a caricatura seu pai nos produtos, como estratégia de marketing e valorização do trabalho do pai.

Como já citei, aproveitei para comprar os guias dos museus e cidades que visitei, para depois me aprofundar em cada um deles de forma mais histórica. Aqui não tem muito segredo, apenas escolhi os que melhor tinham custo beneficio e abrangessem tudo o que eu gostaria de estudar sobre o local.

Meu destaque fica para o guia que mostra uma reconstrução das ruínas de Roma, mostrando como os locais eram antes e como podem ser vistos hoje, com detalhes históricos e do cotidiano da Roma Antiga.


Não resisti quando vi este busto de Dante Alighieri, escritor de A Divina Comédia, um dos meus livros preferidos! Uma inspiração de escritor, visionário e homem apaixonado. A qualidade da peça também é impressionante!

Outra pequena estatueta que acabei comprando, foi o belíssimo trabalho de Michelangelo quando ele fez David. A estatueta não consegue passar a sensação de ver a obra ao vivo e a cores, mas vai servir de lembrança da emoção que senti ao vê-la.

Em Veneza foquei nas simbólicas máscaras de Carnavale, típicas da cidade, que pra mim, foi a mais linda que já vi na vida! Além da figura classica, comprei também a mascara dos Doutores da Morte, que são estas que possuem narizes enormes.

A Máscara dos Doutores da Morte, são muito simbólicas pois eram as que os médicos utilizavam durante o período da peste negra. Este artefato foi muito bem utilizado pelo Dan Brown no livro Inferno (Novamente, leia o livro!).

As originais eram feitas de couro e foram implementadas pois achavam que o que passava a doença era o cheiro putrido, então os médicos saiam com estas mascaras onde dentro desse cone no nariz, colocavam essências e outras coisas para “disfarçar” e “filtrar” o ar, evitando o contagio da peste. Abaixo uma mascara original do século XVII e uma ilustração da vestimenta completa desses doutores, incluindo o cajado que era usado para cutucar e virar corpos, na busca por doentes ainda vivos, evitando o contato com as mãos.


O lugar mais difícil de resistir a deixar todo o meu dinheiro foi na Trienalle de Milano, um museu com foco em design e cultura italiana, que aliás estava com uma belíssima exposição de Design de Brinquedos, com um setor especial para o Pinóquio.

Lá eu comprei um livro muito bacana sobre Sketching e o porquê deles serem considerados tão bonitos.

Comprei alguns itens baratinhos como chaveiros, caderninhos, etc. Principalmente aqueles que continham símbolos e brasões antigos das cidades, pois sou fascinado por Heráldica (ciência que estuda brasões e escudos). Inclusive, para quem não sabe, tenho uma flor de Liz tatuada em um dos meus pulsos, em homenagem à minha mãe, que também é símbolo de Florença.


Como último item, já faz um tempo que estava guardando dinheiro para investir em equipamento e minha viagem proporcionou uma economia gigantesca nesse investimento, que me proporcionou investir em mais itens. No fim acabei economizando uns 30% do valor que gastaria comprando aqui no Brasil.

Enfim, se você gosta de arte, design e arquitetura, a Italia com certeza deve entrar na sua lista de lugares para conhecer.

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Sobre o autor

Designer apaixonado pelo que faz, fundador e editor do DESIGN on the ROCKS. Brasileiro, natural de Jacareí - SP. Atualmente trabalha como Freelancer de gráfico e produto.

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